Pular para o conteúdo principal

AMOR PIRATA

 


Se já é estranho opinar sobre relacionamentos alheios de pessoas próximas, então o que dizer de dois indivíduos completamente estranhos à nossa realidade e indubitavelmente excêntricos? No entanto, não há como silenciar quando somos diariamente bombardeados por notícias a respeito do caso Johnny Depp x Amber Heard. Se você é como eu era há alguns dias e não sabe nada a respeito do conflito entre o eterno Jack Sparrow de "Piratas do Caribe" e a princesa Mera de "Aquaman", lamento ser aquele que atiçará sua curiosidade. Apenas dê um “google”. Em resumo, é deprimente, e a pergunta que não quer calar é: quem tem razão?

 Para a justiça, importa. Para nós, não. A lição, porém, está em como não deve ser um relacionamento conjugal. Por mais que os fatos venham à tona, por mais provas que ambos os lados possam produzir, não temos como saber exatamente como se dava a dinâmica do casal, mas, diante das consequências, dá para presumir que não eram nada saudáveis. O que conseguimos extrair é que ambos buscavam do outro algo que, aparentemente, não lhes era dado, e, ao cabo, acabavam partindo para abusos, cada um à sua maneira, para encurralar o cônjuge. Assim, o que era para ser um casamento se converteu em um ringue, uma disputa por razão, uma luta por vitória.

 Casamento, no entanto, não é sobre vitória ou derrota, mas sobre aliança. Se houver adversário, e há, ele precisa estar em algum lugar fora do matrimônio, mas nunca dentro. O casal precisa ser aliado contra inimigos comuns, e uma aliança envolve doação. Ambos abrem mão de certas coisas em nome de algo maior. Não é fácil e certamente é inconstante. São dois passos pra frente e um para trás, mas assim sempre caminhou a humanidade. O importante é não perder o alvo de vista, não deixar a bússola da Verdade se quebrar. Se o casal quiser, ele chega lá.

 Johnny e Amber não quiseram. Juntos, arrasaram um matrimônio que se converteu no maior escândalo da atualidade e transmitem ao mundo a lição de que um casamento desprovido de amor é pirata e seu navio afundará até os mais profundos abismos da alma, pois não há amor conjugal duradouro e verdadeiro se nele não houver afeição, amizade, atração e sacrifício.

*Imagem: https://br.ign.com/movies/98111/news/johnny-depp-viraliza-ao-desenhar-durante-audiencia-contra-amber-heard

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O SHOW NÃO PODE PARAR

Ontem, eu, a Roberta e a Glória fizemos uma programação de domingo diferente da que estamos acostumados: fomos ao circo! Sim, foi a primeira vez que a Glória assistiu a malabaristas, acrobatas e contorcionistas! Também houve um show de mágica que lhe encheu os olhos, além, é claro, de toda a magia do lugar. O circo é o "Park Las Vegas" e está instalado aqui em Porto Alegre na avenida Juca Batista, próximo ao Zaffari Ipanema, desde o início de março, e por mais de dois meses não puderam trabalhar . Isso significa que não conseguiam ganhar dinheiro para o seu pão de cada dia por todo esse período. Os dias foram passando, as semanas, os meses. Sem condições financeiras mínimas para sua própria subsistência, sequer poderiam sair de lá. Nesse período, depois que rarearam seus recursos, passaram a ser auxiliados pela comunidade, que começou a lhes fazer doações de todo tipo, especialmente de alimentos. Era triste passar por ali e ver o circo todo montado, acompanhado de um pa...

RESENHA -A QUARTA TEMPORADA DE “LA CASA DE PAPEL”: UMA CRÍTICA NORMAL (COM ALGUNS SPOILERS)

Ontem à noite , eu e minha esposa acabamos de assistir à quarta temporada de “La Casa de Papel”, série espanhola de tremendo sucesso e que certamente terá uma quinta temporada. Como o título de minha crônica aponta, essa é uma crítica “normal”, ou seja, limitar-me-ei a aspectos técnicos da atração, apesar de eu não ser um cineasta. Em breve, contudo, apresentarei outra que cuidará de outros pontos. “ La Casa de Papel” tem uma história que poderia ser limitada a uma única e longa temporada, ou, talvez, a uma trilogia de filmes. Enquanto os “flashbacks” são ocasionais na primeira temporada, nas seguintes são cada vez mais frequentes. Embora eles se mostrem r elevantes para mostrar todo o planejamento, inspiração e, a fim de não haver margem para qualquer “ponta solta” no assalto, previsão, f ica evidente que seu verdadeiro objetivo é alongar o show. Claro, muitos discordarão disso, mas essa é a minha opinião. Além disso, fica claro que a série foi pensada originalmente ...

Seleção da República Rio-Grandense

Eu adoro viajar na maionese e pensar em coisas possíveis de terem acontecido. Uma das que mais me vem à cabeça é aquela que comentei há pouco: e se a República Rio-Grandense tivesse se mantido e se consolidado? Bom, não quero discorrer sobre isso (embora já tenha dado uma palhinha no tópico anterior), mas gostaria de me prender nesse assunto em relação ao futebol (aliás, tenho falado demais sobre futebol, né? Preciso ler um pouco menos de caderno de esportes para ter outros assuntos a tratar). Uma vez República Rio-Grandense e independente, imaginem nossas seleções de futebol. Pois bem, vou começar uma série de posts falando da campanha da seleção de futebol nas Copas de 1994 em diante. Estaríamos em todas elas, seguramente, e o Brasil seria Tri ainda hoje, enquanto que nós tb teríamos levado alguns canecos. Abaixo, só como aperitivo, seguem as Seleções de 2006 e 2010: 2010 Renan (goleiro) Maicon (Lateral-direito) Bolívar (Zagueiro) Anderson Polga (zagueiro) Michel Bastos (lateral-esqu...