Não sei por que meus avós paternos Roberto e Gladys (a Nina) escolheram essa data, mas o fato é que, em 31/12/1947, eles casaram. Não tenho a informação sobre quantos convidados compareceram, nem como foi a festa. Há uma clássica foto deles cortando o bolo de casamento, então, já dá pra dizer que, ao menos, bolo teve! Saber onde e quando será o casamento, o que será servido, quantos convidados irão, tudo isso faz parte do planejamento e é legítimo e fundamental levar a sério tais questões. No entanto, não são elas que determinarão o sucesso do seu matrimônio, mas a longa jornada do dia-a-dia constituída de pequenos atos. Eu, como neto, sempre via os meus avós paternos com curiosidade e admiração. Ambos eram muito carinhosos um com o outro, inclusive no fim de suas vidas. Recordo-me dos dois, certa noite, conversando entre si sem saberem que eram por mim observados: “Benzinho, ficamos ricos?”, perguntou minha avó, questionando meu avô sobre o resultado da loteria...
Crônicas, contos, poesias e algo mais. Por RENAN E. M. GUIMARÃES.