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VELAS, VELHAS LEMBRANÇAS E 40 ANOS

A churrasqueira fora acesa bem cedo, no meio da manhã, e a banda, liderada pelo saudoso Seu Carlos, embalava aquela tarde com sua música gauchesca. Barril de chope, carne abundante, aquela alegre zoeira de vozes que ecoam de uma festa animada, a correria das crianças que subiam na casinha d a árvore e, pelo escorredor, desciam, jogavam futebol e, subversivamente, atiravam-se na piscina sob a ilusão do calor da ensolarada tarde primaveril, ignorando o ventinho traiçoeiro que logo viria e antecederia não só o crepúsculo, mas aquele resfriado que chegaria junto com a segunda-feira. Era a primeira celebração dos aniversariantes de outubro daquela casa para onde nos mudáramos no início do ano, e nossos parentes mais próximos e melhores amigos estavam lá, entre risadas, música, comilança, cerveja, refrigerantes, bolo e docinhos. Então, eis que, de repente, surgem, descendo a rampa que levava à garagem e “salão de festas” do nosso lar, meu avô Roberto e minha avó Nina. Surpresa! Uma grande...

POR QUE A FANTASIA?

  Amanhã é natal, e duas imagens me vêm à cabeça: a do presépio e a do Papai Noel. Claro que a primeira é muito mais importante do que a segunda, mas a nossa cultura está aí e é inevitável pensarmos no barbudinho de vermelho. Quando alimentamos o símbolo do Papai Noel, alimentamos a fantasia, e não se trata de uma fantasia qualquer. As crianças crescem ouvindo sobre ele, o trenó, os duendes, o Polo Norte, a descida pela chaminé e tudo o mais, até que, um dia, vem a aguardada pergunta, o rompimento de uma fronteira do seu amadurecimento, e nada nos resta a não ser dizer a verdade. Lembro-me de quando fiz a pergunta e da tristeza ao ouvir a resposta, recordo-me da reação ainda mais decepcionada e revoltada do meu irmão, e temo por isso quando chegar o momento da revelação para as minhas filhas. Então, por que alimentamos essa fantasia? Tolkien entendia de fantasia. Sem fazer uso de alegorias como as do seu amigo C. S. Lewis, ele queria desenvolvê-la como uma ilustração da Verdade ...

FORMIDÁVEL!

Há 100 anos, no dia 19 de outubro de 1923, tu nascias. Tu, uma mulher incrível! Teu nome era Gladys. Um belo nome e bem popular na época. Porém, eu e a maioria dos teus netos sempre te chamamos apenas de Nina. Sempre carinhosa, amorosa e sentimental, reinavas, e muito bem, na tua casa. O vô te tratava como uma rainha: a Rainha Benzinho! Muito dedicada aos filhos e netos, sempre disponível, sempre chamando para o abraço e o aconchego! Pianista profissional, foste professora e deixaste teu legado aos teus alunos! Hoje tem festa no Céu, e aposto que o bolo deve ser ainda melhor do que essa gostosura servida no teu casamento com o vô! Que saudades, Nina! Te amo, te amo, te amo! O teu centenário jamais passaria em branco! Se for para escolher uma palavra para resumir a tua vida, escolho uma que, invariavelmente, ao pronunciá-la, não apenas me recordo de ti, mas ouço a tua voz e o teu jeito de falar, com aquele sotaque bem gaúcho da fronteira, de Quaraí, que nunca perdeste, mesmo morando,...

DEU MATCH! FELIZES PARA SEMPRE?

  Recentemente, um dado revelou que, desde 2012, a maior parte dos casais dos EUA se conheceu on line. Isso significa que, antes do primeiro encontro, uma série de requisitos listados por cada um deles já se encontrava superado, como aparência, formação intelectual, interesses em comum, distância, renda, religião. Logo, aproximando duas pessoas que deram “match”, o resultado só poderia ser um acerto preciso, não é mesmo? Nem sempre. Na comédia “Quero ficar com Polly” (2004) , o protagonista Reuben ( Ben Stiller ) , um avaliador de riscos de uma seguradora, embora apaixonado por Polly ( Jennifer Aniston ) , trava ao constatar diferenças que poderiam inviabilizar aquele relacionamento, embora os sinais d o seu namoro indicassem o contrário. Por outro lado, Lisa (Debra Messing), sua ex-esposa e que com ele fora infiel em plena Lua-de-Mel, ressurge e, por ser mais parecida com ele, enche-o de dúvidas. Em vez de confiar no seu coração e na sua intuição, ele busca a opinião do seu ...

O MELHOR PAI DO MUNDO

  “ O melhor pai do mundo é o meu!” Disse ao amigo a criança Que respondeu “ É o meu e não o teu!” E discutiram cada vez mais Sempre exaltando As qualidades Dos seus pais Tinham bons argumentos: Mais forte ou inteligente? Mais prudente ou valente? E assim debatiam Sérios, não sorriam Até que os pais chegaram Um de um lado, o outro, do outro Os filhos para eles correram E cada um lhes disse: “ Você é o melhor pai do mundo”. E os pais sorriram e partiram De mãos dadas com os filhos Afinal, nada mais profundo Do que ouvir aquilo De quem mais importa No mundo. Para não haver dúvidas Escrevo, sem hesitar O melhor pai do mundo é o meu Mas torço para que tu aches A mesma coisa Em relação ao teu. Feliz aniversário, paizão Eu te amo do fundo Do meu coração

O ÚLTIMO DIA DA MINHA INFÂNCIA

  Eu olhava para eles, e eles, para mim. Não sorriam, mas também não choravam. Apenas aguardavam, resignadamente, pela minha decisão. Estavam todos ali, amontoados no armário cujas portas, naquele momento, eram mantidas abertas. Encarando-os, via-me dividido, pois persistia, em mim, uma certa vontade de dar asas à imaginação e criar mais uma história com meus Comandos em Ação, meu Super-Homem, meu Batman, o Robocop. Porém, paradoxalmente, uma força interior impedia-me de fazê-lo. Sentia-me tímido e desconfortável, mesmo na solidão do meu quarto, onde apenas Deus seria testemunha de mais uma brincadeira . TRRRIIIIMMMM! O chamado estridente do telefone, daqueles clássicos, de discar, quase catapultou meu coração pela boca. De repente, fui abduzido pela realidade e resgatado de meus pensamentos confusos. Atendi. “ Oi, Renan! É o Harry!”, identificou-se meu velho amigo e, na época, também vizinho e parceiro de molecadas na Rua Edgar Luiz Schneider. “ V amos brincar de esconde-e...

TIA NOECI, HENRIQUE E EU

  Enquanto eu e o Henrique almoçávamos assistindo ao Chaves e ao Chapolin, lá estavas tu, convencendo o meu irmão a, para a comida, dizer “sim”, antes que eu desse cabo aos restos a serem deixados por ele que, diante de uma colher de arroz e feijão, insistia em falar “não”. Enquanto eu e o Henrique estávamos na escola, durante a manhã, na época do Mãe de Deus, tu arrumavas a bagunça do nosso quarto, preparando-o para ser desarrumado outra vez. Então, quando desembarcávamos da Kombi do Ademir, tu, não sem antes sorrir, nos recebias cheia de carinho e atenção, e dava aquele abraço caloroso que transmitia o que havia no teu coração. Enquanto eu e o Henrique, em tenra idade escolar, tínhamos dificuldades nos deveres de casa, tu estavas lá, nos ajudando a ler, escrever e contar, pois, embora a humildade seja tua maior virtude, ela era muito menor do que tua doação. Sabias que, em breve, não mais conseguirias fazê-lo, mas, até lá, com zelo, estenderias tuas mãos. Enquanto eu e o Henri...

UMA ESCOLHA SÁBIA E MUITO CIVILIZADA

  Todos os dias, mulheres realizam abortos. Então, qual a solução? Ora, se isso já acontece e é imparável, se o caso é de “saúde pública”, então, legalizem tudo de uma vez! Assim, mulheres poderão seguir matando crianças em seus ventres (ou parindo-as para esse fim, dependendo da idade do bebê) com o conforto de uma clínica limpinha e cheirosa. Todos os dias, adolescentes são abordados em pracinhas perto de escolas. Gurizada rica, pobre ou de classe média, não importa: a maconha sempre rolou solta entre ela, e as medidas socioeducativas que buscam corrigi-las não conseguem acabar com o problema! Então, o que fazer? Claro! Legalize o consumo de drogas, não importando se os jovens seguirão comprando de traficantes, os vetores da violência no país. Afinal, é caso de “saúde pública”, sendo irrelevante que isso incentive o consumo e, consequentemente, piore a “saúde pública” devido ao consumo, em si, e à violência que o envolve. E as compras de votos de parlamentares, como o mensalão...

COMO É BOM TE BEIJAR

Como é bom te beijar, pois, ao fazê-lo, percebo como foi sábio ter me dirigido a ti assim que te vi, ter mentido que gostava de Chico só pra ficar contigo, depois te namorar pra, finalmente, casar. Quanto mais longe fica aquela noite, mais próxima de hoje ela está, mais presente que a notícia mais recente e mais bela do que uma florescente manhã de primavera. Como é bom te beijar. Teus lábios aconchegantes foram e são a chave para o que é mais precioso: o amor que temos um pelo outro, que fazemos um com o outro e que geraram as riquezas mais valiosas do que a soma de todo o ouro encontrado em toda a história: a Amélia e a Glória. Como é bom te beijar. A cada vez que trocamos sabores, algo muda em mim, um começo que me conduz a outro, nunca a um fim, afinal, depois do nosso "sim" dito no altar, juramos para sempre lado a lado caminhar. A estrada foi e sempre dura será, mas ela também  sempre trouxe muita beleza entre algumas tristezas, e assim seguirá, com a certeza de que Deu...

COADJUVANTES DA ESTRELA

  Quem é o protagonista da sua vida? A pergunta já traz a resposta, afinal, se a ideia é saber algo da SUA vida, então é claro que o protagonista da SUA história é você. Porém, nem eu, você ou qualquer outro chegou até aqui sozinho, mas com a ajuda, direta ou indireta, de amigos e familiares. Se não fossem os astros coadjuvantes, não seríamos estrelas.   Pois até a estrela das estrelas teve os seus coadjuvantes necessários. Claro, no seu caso, nenhum deles seria imprescindível para ELE próprio, mas o plano perfeito envolvia não “apenas” a sua glória, mas os seus ensinamentos. Para que o testemunho de sua história, palavras e ações fosse plenamente compreendido e transmitido, haveria a necessidade de outros personagens que não fossem somente o principal. Entre eles, os próprios animais!   E é do ponto de vista deles que se desenvolve o enredo de “A Estrela de Belém”. Disponível na Netflix, a animação conta a história de Bo, o jumento que, puxado pelas rédeas por José, ...

A MISTERIOSA VISITA DO PAPAI NOEL

  O natal de 1993 foi o último em que o Papai Noel me visitou. Foi emocionante, embora ele não tenha topado me levar para um passeio nas suas renas, afinal, elas estavam doentes, restando ao barbudinho rechonchudo distribuir presentes pelo mundo a bordo de um velho Passat amarelo emprestado de um amigo seu.   Meses depois, às vésperas da Páscoa, a professora Daurivete, não sei porquê, falou aos alunos da sua turma da Terceira Série do Colégio Mãe de Deus, eu entre eles, que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existiam. Aquilo foi um choque para mim. Certo, eu até desconfiava que a história do Coelhinho era um pouco forçada, mas sempre fui um crente no Bom Velhinho. Defendia sua existência com unhas e dentes e sempre me exaltava nos debates, tamanha minha convicção.   Porém, o peso da autoridade da professora era grande e, naquele dia, ao chegar em casa, recorri a uma instância superior: “Mãe! Diz a verdade: afinal, Papai Noel existe ou não?”. Ela sorriu piedosamente,...

NOITE FELIZ FORA DAS TRINCHEIRAS

    Entre tantos horrores e traumas, aconteceu na Primeira Guerra Mundial um evento isolado, mas absurdamente insólito e inspirador. Um fato tão bizarro quanto lindo, e não seria exagero dizer que se tratou de um verdadeiro milagre de natal, talvez o maior deles desde o próprio nascimento de Cristo.   A conhecida “Trégua de Natal de 1914” ocorreu em diferentes partes do front de batalha, e um dos seus mais famosos armistícios se deu nos arredores de Ypres na Bélgica, quando, na noite de natal, alemães decoraram suas trincheiras com pinheiros enfeitados e começaram a cantar, ao que os adversários, no lado oposto, responderam, com suas músicas. Por vezes, uniam suas canções às do “inimigo”, mas cada um no seu idioma. A melodia foi o convite para a paz e, assim, ambas as forças baixaram suas armas e se uniram para lembrar o nascimento de Cristo, com direito a comida, bebida, louvores e missa ecumênica celebrada simultaneamente por um padre escocês para britânicos, francese...

CORRAM PARA AS CATACUMBAS!

  “Aquele cujo nome não deve ser pronunciado”, e cujos adjetivos baseados em fatos nos é vedado utilizar, foi eleito presidente. Notícia perfeita para um amanhecer de Dia das Bruxas. Eleições limpas ou fraudulentas? Tenho minha opinião, mas ela pode ser equivocada, irrelevante, ofensiva, talvez até ilícita ou criminosa! Vai saber? Por isso me abstenho de falar qualquer coisa.   Pois esse é o aperitivo do que nos espera nos próximos anos. Se o grupo da estrela amarela sobreposta ao vermelho-sangue conseguiu judicialmente censurar indivíduos e veículos de comunicação sem sequer ocupar um lugar na Praça dos Três Poderes, receio muito pelo que virá agora que eles terão a cadeira presidencial.   A vedação à liberdade de expressão não é mais uma ameaça, mas uma realidade cujo aperitivo sentimos de maneira bruta na última quinzena de outubro, tudo sob a chancela da nossa Máxima Corte. Infelizmente, empresas como Jovem Pan, Brasil Paralelo, Gazeta do Povo e Revista Oeste serã...

O LUGAR ONDE PERTENCEMOS

  Muitos dos supostos sonhos que temos não são, na verdade, nossos, mas foram criados por elementos externos que o tempo todo nos iludem para que busquemos um lugar ao sol. Porém, será que já não o encontramos?   A resposta a essa pergunta é o segredo da verdadeira felicidade, e saberemos que ela foi honesta se feita com base na paz, satisfação e segurança a respeito daquilo que se está vivenciando.   Há paz quando percebemos que a vida é como deveria ser, não num sentido determinista, tampouco comodista, mas reconhecendo-se as consequências de escolhas, o que as guiaram e aquilo que se entende como valoroso.   A satisfação está na percepção de que os elementos que integram nossas existências, com suas agruras e conquistas, em um contexto de inevitável imperfeição, preenchem nossos espíritos em abundância. Embora sempre possa haver um “algo mais”, a satisfação está em justamente saber que os sacrifícios para obtê-lo simplesmente não valem a pena.   Por f...

FADADOS À EXTINÇÃO? NÃO HOJE.

  “Top Gun: Maverick” não é simplesmente excelente, mas se apresenta como uma aula de sabedoria. Isso é revelado logo no início da obra, quando o protagonista ouve de um superior, encenado por Ed Harris, que pessoas como Maverick estariam fadadas à extinção. O herói responde: “Pode ser. Mas não hoje”. A frase é proposital e provoca uma resistência que não se limita ao personagem interpretado por Tom Cruise, mas às virtudes que ele representa.   Por vezes, sentimo-nos agredidos por um mundo que promove supostas certezas claramente desconexas da verdade que testemunhamos e sentimos. Parece que, se não nos adaptarmos a ideias apresentadas como modernas, estaremos fadados à penúria, ao exílio ou, até mesmo, à morte. O filme, no entanto, nos lembra que, embora, de fato, talvez seja esse o nosso destino, resistir a isso é uma imposição das virtudes que nossos espíritos genuinamente demandam. Quais?   O filme responde: coragem, realismo, humildade, companheirismo, confiança,...

UM VOO MUITO MAIS ALTO DO QUE NOSSOS OLHOS VEEM

    A espera acabou e finalmente fui ao cinema assistir a “Top Gun: Maverick”, sem dúvidas um dos melhores filmes dos últimos tempos. Essa minha opinião não é novidade, afinal, uma rápida busca na internet já nos leva a ela, mas a grande questão é o que a torna grandiosa. Um expectador honesto sabe o que isso significa. Pense em uma história de ação e heroísmo realmente boa e você terá isso com maestria, das atuações aos efeitos especiais, do roteiro à trilha sonora, do respeito e tributo aos fãs ( fan service ) às novidades coerentes e, acima de tudo, das expectativas à superação delas, o que envolve a sensação de edificação ao sair da sala de cinema. Isso significa que, quando as luzes se acendem, sentimo-nos pessoas melhores e ávidas para compartilhar com o mundo as lições dessa obra-prima.   Não sou crítico de cinema, não vou me ater a detalhes técnicos, mas com certeza há momentos e frases do filme que merecem ressoar em nossas almas e que muito nos ensinam, e é ...

UMA PESSOA QUE PENSAVA

  A grande maioria das pessoas não está mais pensando. Faltam indivíduos que, entre uma opinião e outra, reflitam sobre o que ocorre ao seu redor e, ainda que discordemos de suas palavras, possamos lê-las ou ouvi-las sabendo que foram elaboradas com honestidade, como parte de um hercúleo trabalho perpetuamente inacabado de busca pela verdade.   David Coimbra era uma pessoa que pensava e, como qualquer indivíduo genuinamente livre, convertia, pelo microfone ou a escrita, suas reflexões em palavras. No primeiro quesito, não era muito feliz, pois, desprovido daquele tempo necessário para uma reflexão ponderada, desenvolvia opiniões precipitadas, metia-se em debates constrangedores e largava algumas pérolas lamentáveis.   Já na escrita, sempre o admirei, ainda que muitas vezes dele discordasse porque, ao acompanhá-lo por tantos anos, percebia-se nele alguém que não vinha com uma opinião meramente pronta, mas construída a partir de muita reflexão e, o que é mais importante...

SOBRE ESCROTOS E BURROS

  O que é um “escroto”? Biologicamente sabemos, claro, mas a palavra, quando utilizada como ofensa, tem o sentido de dizer que alguém tem não só um caráter torpe, mas que o expressa publicamente de forma repugnante e vil. Um escroto é, em resumo, um babaca em uma potência elevada, que pisa nos outros com o simples intuito de fazer mal ao seu alvo a fim de se elevar, não em nome de algo virtuoso, mas dos seus interesses viciados e do seu ego corrompido.   Uma pessoa burra, por sua vez, é aquela que, por mais que se exponha à verdade e ao conhecimento, por mais que ouça os mais persuasivos argumentos, mantém-se inerte, empacada como o próprio animal que a homenageia, fazendo-o não com base em contra-argumentos, mas em uma resistência desprovida de lógica. O verdadeiro burro não é o que cognitivamente não entende a verdade, mas que se nega deliberadamente a enfrentá-la com argumentos a fim de demonstrar que a tal “verdade” que lhe é apresentada se trata, em sentido de contrário...

AMOR PIRATA

  Se já é estranho opinar sobre relacionamentos alheios de pessoas próximas, então o que dizer de dois indivíduos completamente estranhos à nossa realidade e indubitavelmente excêntricos? No entanto, não há como silenciar quando somos diariamente bombardeados por notícias a respeito do caso Johnny Depp x Amber Heard. Se você é como eu era há alguns dias e não sabe nada a respeito do conflito entre o eterno Jack Sparrow de "Piratas do Caribe" e a princesa Mera de "Aquaman", lamento ser aquele que atiçará sua curiosidade. Apenas dê um “google”. Em resumo, é deprimente, e a pergunta que não quer calar é: quem tem razão?   Para a justiça, importa. Para nós, não. A lição, porém, está em como não deve ser um relacionamento conjugal. Por mais que os fatos venham à tona, por mais provas que ambos os lados possam produzir, não temos como saber exatamente como se dava a dinâmica do casal, mas, diante das consequências, dá para presumir que não eram nada saudáveis. O que con...