Pular para o conteúdo principal

NEM TUDO SÃO FLORES, MAS PRECISAMOS DELAS

 


Olhando alguns lindos arranjos divulgados pela @cintiaarmelin, passei a refletir sobre como as flores, em sua beleza e fragilidade, lembram muito a expressão de nossos sentimentos positivos em nossas vidas conjugais, como os carinhos, elogios, toques físicos românticos, agrados. Elas, como eles, são facilmente perceptíveis, mas precisam de cuidados constantes.

 De nada adianta as flores integrarem nosso ambiente, ou os carinhos em nosso dia-a-dia, se, entre esses intervalos, ou seja, na maior parte do tempo, vivermos uma vida de indiferença e insensibilidade, de egoísmo e grosserias, de sufocamento e ausência de doação. Qual o sentido de tentarmos trazer flores para um lugar sujo e bagunçado se sequer cogitamos sua limpeza e arrumação? O seu brilho será uma mera e curta ilusão.

 Por outro lado, se apenas flores não resgatam a verdade, a verdade precisa de flores para ser mantida clara aos nossos olhos. Um ambiente desflorido, ainda que bonito e organizado, cansa, e é por isso que uma das palavras que o define com mais precisão é “estéril”. As flores precisam estar lá, não como uma asfixiante e perfumada floresta indoor, mas na medida certa. Elas são importantes e trazem brilho para a verdade encontrada nos espaços que as separam.

 Em uma celebração matrimonial, as flores são fundamentais, não apenas como elemento decorativo, mas, especialmente, simbólico, justamente por se apresentarem como aquela frágil beleza intensa que necessita de constantes cuidados e que não domina, mas permeia aquilo que é central em um casamento e que, para ser preservado, deve ser cultivado: o compromisso de um amor compreensivo, fiel, leal, carinhoso e de sacrifício.

 Sim, nem tudo são flores em um casamento, mas todo casamento precisa de flores, das brotadas da terra às colhidas de nossos corações e convertidas em palavras e ações. Embora elas não sejam aquilo que dá sentido a um casamento, precisam integrar os canteiros da estrada da vida conjugal, que não é uma highway que visa a um destino com eficiência, mas uma rota romântica que, apesar de mais lenta e, muitas vezes, mais arriscada, é provida de paisagens que nos edificam ao longo da jornada.

*Imagem: https://www.instagram.com/p/CXZ022TOPMr/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESENHA -A QUARTA TEMPORADA DE “LA CASA DE PAPEL”: UMA CRÍTICA NORMAL (COM ALGUNS SPOILERS)

Ontem à noite , eu e minha esposa acabamos de assistir à quarta temporada de “La Casa de Papel”, série espanhola de tremendo sucesso e que certamente terá uma quinta temporada. Como o título de minha crônica aponta, essa é uma crítica “normal”, ou seja, limitar-me-ei a aspectos técnicos da atração, apesar de eu não ser um cineasta. Em breve, contudo, apresentarei outra que cuidará de outros pontos. “ La Casa de Papel” tem uma história que poderia ser limitada a uma única e longa temporada, ou, talvez, a uma trilogia de filmes. Enquanto os “flashbacks” são ocasionais na primeira temporada, nas seguintes são cada vez mais frequentes. Embora eles se mostrem r elevantes para mostrar todo o planejamento, inspiração e, a fim de não haver margem para qualquer “ponta solta” no assalto, previsão, f ica evidente que seu verdadeiro objetivo é alongar o show. Claro, muitos discordarão disso, mas essa é a minha opinião. Além disso, fica claro que a série foi pensada originalmente ...

Amor e Casamento (Rene Kvitz)

Recebi esse texto num e-mail. É atribuído a Rene Kvitz. "Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com outras alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que “já não se amam mais”, como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas. Talvez por estas duas razões – o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência – nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo “até que a morte vos separe” cresce a cada dia. Acredito que existe uma peça do quebra cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessid ade de desmistificar es...

Seleção da República Rio-Grandense

Eu adoro viajar na maionese e pensar em coisas possíveis de terem acontecido. Uma das que mais me vem à cabeça é aquela que comentei há pouco: e se a República Rio-Grandense tivesse se mantido e se consolidado? Bom, não quero discorrer sobre isso (embora já tenha dado uma palhinha no tópico anterior), mas gostaria de me prender nesse assunto em relação ao futebol (aliás, tenho falado demais sobre futebol, né? Preciso ler um pouco menos de caderno de esportes para ter outros assuntos a tratar). Uma vez República Rio-Grandense e independente, imaginem nossas seleções de futebol. Pois bem, vou começar uma série de posts falando da campanha da seleção de futebol nas Copas de 1994 em diante. Estaríamos em todas elas, seguramente, e o Brasil seria Tri ainda hoje, enquanto que nós tb teríamos levado alguns canecos. Abaixo, só como aperitivo, seguem as Seleções de 2006 e 2010: 2010 Renan (goleiro) Maicon (Lateral-direito) Bolívar (Zagueiro) Anderson Polga (zagueiro) Michel Bastos (lateral-esqu...