Pular para o conteúdo principal

PAPAI NOEL EXISTE?

 


Embora um inegável gênio da literatura, acredito que a mais elevada contribuição de Tolkien tenha sido, a partir da assimilação de que toda a humanidade viera de uma partícula de Deus, reconhecer que em nós se encontra registrada parte da Verdade, a qual, em nossa insignificância, é impossível de ser percebida integralmente.

 Essa seria a explicação para que tantos mitos semelhantes existissem em diversos tempos e lugares: a fonte primária da imaginação foi a mesma. As lentes dos que a vislumbraram a partir de uma interpretação do que lhes fora revelado por Deus é que os afastaram ou aproximaram da Verdade. Seu famoso poema “Mitopeia” e o célebre ensaio “Sobre Estórias de Fadas” tratam disso.

 E onde é que Papai Noel entra nessa? De forma bem resumida, o mito veio de uma verdade, a história e o testemunho de São Nicolau, e passou a se desenvolver e a se misturar com outras lendas e interesses, até chegar ao Papai Noel que conhecemos. Apesar da inspiração real, seria ele falso? Considerando que a forma como Papai Noel, hoje, é ilustrado seria um mero vislumbre da Verdade sob lentes imperfeitas, Tolkien, acredito, diria que não. Partindo da premissa de que São Nicolau se encontra no Céu, no aguardo de sua ressurreição no Dia do Juízo, então seu espírito, no mínimo, segue metafisicamente vivo, e seu testemunho, mais ainda, afinal, toda a ideia de presentes e caridade partiu da tradição que o teve como inspiração.

 O fato é que Papai Noel existe porque seu espírito realmente existe e vive. Assim como Jesus segue atuando a partir de pessoas que agem segundo seu testemunho e ensinamentos, São Nicolau, cuja imagem contemporânea se encontra culturalmente moldada na do gordinho da Coca-Cola, permanece entre nós, do Papai Noel do shopping ao que visita crianças de casas ricas e pobres do mundo todo. Eles não são vários “Papais Noéis”, mas vários braços do mesmo espírito verdadeiro condensados no símbolo do barbudinho.

 Então, se nesse natal alguma criança lhe perguntar se Papai Noel existe, diga, sem hesitar, que sim, e nunca deixe de lembrá-la de Jesus e daquilo que de fato celebramos na data. Um dia, ela, em sua busca pela Verdade, enfim entenderá o significado dessa resposta.

P.S. Assistam ao Insight Brasil Paralelo a respeito da "origem" do Papai Noel (https://www.youtube.com/watch?v=pOC2yFnQhio).

*Imagem: https://www.acidigital.com/noticias/sao-nicolau-ou-papai-noel-6-diferencas-entre-o-santo-e-o-personagem-de-ficcao-90804

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESENHA -A QUARTA TEMPORADA DE “LA CASA DE PAPEL”: UMA CRÍTICA NORMAL (COM ALGUNS SPOILERS)

Ontem à noite , eu e minha esposa acabamos de assistir à quarta temporada de “La Casa de Papel”, série espanhola de tremendo sucesso e que certamente terá uma quinta temporada. Como o título de minha crônica aponta, essa é uma crítica “normal”, ou seja, limitar-me-ei a aspectos técnicos da atração, apesar de eu não ser um cineasta. Em breve, contudo, apresentarei outra que cuidará de outros pontos. “ La Casa de Papel” tem uma história que poderia ser limitada a uma única e longa temporada, ou, talvez, a uma trilogia de filmes. Enquanto os “flashbacks” são ocasionais na primeira temporada, nas seguintes são cada vez mais frequentes. Embora eles se mostrem r elevantes para mostrar todo o planejamento, inspiração e, a fim de não haver margem para qualquer “ponta solta” no assalto, previsão, f ica evidente que seu verdadeiro objetivo é alongar o show. Claro, muitos discordarão disso, mas essa é a minha opinião. Além disso, fica claro que a série foi pensada originalmente ...

Amor e Casamento (Rene Kvitz)

Recebi esse texto num e-mail. É atribuído a Rene Kvitz. "Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com outras alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que “já não se amam mais”, como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas. Talvez por estas duas razões – o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência – nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo “até que a morte vos separe” cresce a cada dia. Acredito que existe uma peça do quebra cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessid ade de desmistificar es...

Seleção da República Rio-Grandense

Eu adoro viajar na maionese e pensar em coisas possíveis de terem acontecido. Uma das que mais me vem à cabeça é aquela que comentei há pouco: e se a República Rio-Grandense tivesse se mantido e se consolidado? Bom, não quero discorrer sobre isso (embora já tenha dado uma palhinha no tópico anterior), mas gostaria de me prender nesse assunto em relação ao futebol (aliás, tenho falado demais sobre futebol, né? Preciso ler um pouco menos de caderno de esportes para ter outros assuntos a tratar). Uma vez República Rio-Grandense e independente, imaginem nossas seleções de futebol. Pois bem, vou começar uma série de posts falando da campanha da seleção de futebol nas Copas de 1994 em diante. Estaríamos em todas elas, seguramente, e o Brasil seria Tri ainda hoje, enquanto que nós tb teríamos levado alguns canecos. Abaixo, só como aperitivo, seguem as Seleções de 2006 e 2010: 2010 Renan (goleiro) Maicon (Lateral-direito) Bolívar (Zagueiro) Anderson Polga (zagueiro) Michel Bastos (lateral-esqu...